O Sol surge ao horizonte com um céu azul e limpo. Era uma bela manhã. Fazia calor, muito calor, o quarto se encontrava com a porta e as janelas fechadas. Levantou-se em um impulso, seu corpo se encontrava em rios de suor e o colchão estava úmido.
- Mas que merda...
Levantou-se e foi até o banheiro. Abriu a torneira e com as mãos juntas aparou água e molhou o rosto, fechou a torneira e não se deu ao trabalho de enxugar a face. Foi até a cozinha, abriu uma das portas do armário e pegou uma garrafa térmica, que ainda possuía café da noite anterior, despejou o líquido em uma xicara azul, adicionou leite e achocolatado, gostava daquela mistura mais do que doce. Ingeriu o líquido, pôs a xícara na pia e voltou ao banheiro.
Despiu-se, se posicionou debaixo do chuveiro e sem cerimônias deixou que a água gélida da noite caísse sobre o teu corpo. Com a água escorrendo, refletia incessantemente sobre o que teria que fazer no decorrer do dia. Depois de alguns minutos de agua corrente, completou o banho, fechou o registro e, sem ao menos se enxugar, voltou ao seu quarto. Vestiu-se, pôs a carteira e as chaves de casa nos bolsos e andou em direção à saída.
Passando pela sala viu algumas contas em cima da mesa, pegou-as e saiu de sua residência. Andou cerca de cinco minutos até alcançar o ponto de ônibus e, neste curto período de tempo, já se encontrava suando e de corpo quente.
- Maldito Sol...
Tomou o ônibus em direção ao seu trabalho, pagou ao cobrador, passou pela catraca, sentou-se em uma das primeiras cadeiras. Sua viagem durou cerca de cinquenta minutos. A cada ponto que passava, o ônibus enchia mais e mais. O veículo fazia muito barulho, sua lataria parecia que estava para se desmontar a qualquer momento e o motorista não fazia a menor questão de enfiar o maldito pé no acelerador. Parecia que tinha se enfiado em uma grande lata de sardinha com rodas que se deslocava ao estilo montanha-russa.
-Maldito ônibus...
Desceu daquele veículo quase surreal e andou por cerca de dez minutos até o seu local de trabalho. Era uma casa de dois andares em que funcionava alguma coisa que parecia ser importante. O pobre diabo passava o dia inteiro em frente a um computador fazendo e repassando ofícios, nem ele mesmo sabia direito qual a sua função naquele lugar.
O ambiente possuía sete pessoas incluindo ele mesmo, onde dos sete, quatro eram mulheres. Tirando sua chefa, as demais eram fofoqueiras e se achavam perfeitas, os homens eram verdadeiros babacas que se achavam os “caçadores de dondocas”.
- Malditas pessoas...
Sua superiora era uma mulher provocante, rígida e dedicada. Gostava de usar terninhos com saias provocantes. Ele nunca gostou de roupas curtas, mas também não iria deixar de aproveitar a oportunidade de olhar as grossas coxas e o farto busto da patroa.
- Maldito tesão...
Ele tinha um relacionamento sério com uma boa moça de mente e personalidade maravilhosas. Em seu relacionamento não lhe faltara nada. Possuía amor, carinho, sexo e delírios, mas, por alguma razão, alimentava uma paixão, ainda controlável, pela sua chefona.
Em meio ao seu trabalho ele foi convocado a comparecer a sala de sua chefia. Tremulo e desconfiado ele se desloca até a sala no andar superior da casa. Isso nunca havia ocorrido. Ele trabalhava sem dar um “piu”, não conversava com ninguém e era empenhado em seus afazeres, então, por que ser chamado?
Parou defronte a porta, bateu três vezes, pediu licença e entrou na sala. Ela o mirou nos olhos e de ordenou de maneira direta:
- Sente-se.
O pobre diabo tremia, dependia daquele emprego e não sabia por que havia sido chamado...
- Tá bom
- Sabe por que eu lhe chamei?
- Não senhora.
- Eu gostaria de ver o quão resistente você é.
De maneira fria e sem hesitações, a mulher levantou-se e começou a tirar o blazer, desabotoar a camisa e tirar a saia, revelando um corpo escultural e uma roupa íntima provocante. Ele não queria, mas as palavras saíram de sua boca.
- Maldita tentação...
Ela foi até ele e esfregou os seios em seu rosto. Eram fartos, redondos e macios. Ele recuou a cabeça no intuito de respirar e foi surpreendido com a mulher sentando violentamente em seu colo e o beijando de maneira selvagem, arrancando-lhe todo o folego.
“Mas que merda esta acontecendo aqui, assim, tão de repente!”, pensava sem parar. Agoniado por não poder respirar, empurrou o rosto da mulher para trás e, com os olhos fechados, respirou fundo. Com o folego renovado, abriu os olhos e a encarou. Tomou um grande susto ao ver que os olhos dela estavam completamente negros, como uma noite sem lua e estrelas. Surpreso e assustado manteve-se imóvel.
- O que foi querido? Não era você que me desejava e não deixava de olhar para as minhas pernas e para os meus seios, para minha bunda e para o meu rosto? Por que está tão chocado?
Ela avançou novamente contra a boca do não tão feliz infeliz. A língua da já não mais parecia normal, era grande e serpenteante, tão grande que adentrou garganta abaixo do rapaz, sufocando-o. Ele fechou os olhos e a empurrou para longe. Sentiu-a sair de seu colo, mas não escutou o tombo dela contra chão ou qualquer outra coisa. Abriu os olhos e já estava em sua casa, de pé, defronte a sua parceira, que, chorosa, mirava-o nos olhos.
Não sabia o que fazer, não sabia o que falar, uma agonia avassaladora crescia em seu peito e o emudecia. De maneira inexplicável, tudo ao seu redor começou a queimar. A fumaça o sufocava e sua amada se desfez como poeira ao vento. Tudo estava destruído e o calor era dilacerante. Ficou tonto, caiu de joelhos, olhou tudo ao se redor, percebeu a visão ficando turva e então, desmaiou.
Levantou-se em um impulso, seu corpo se encontrava em rios de suor e o colchão estava úmido. O Sol surgia ao horizonte com um céu azul e limpo. Era uma bela manhã. Fazia calor, muito calor, o quarto se encontrava com a porta e as janelas fechadas.
- Maldito desejo...
Olhou para o lado e viu sua parceira, que ainda adormecia.
- Tenho que pagar as contas...
Apenas trasncrevo meu pensamento. Passeio livre e loucamente pelas minhas linhas epifânicas.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Ser Cínico
Gostaria de antemão dizer que não sou perito no assunto do cinismo enquanto linha filosófica, mas mesmo assim, me atrevo a falar algo sobre.
Significado de Cínico
adj. e s.m. Diz-se de filósofos antigos (como Diógenes) que professavam uma moral ascética e um desdém absoluto das conveniências sociais.
Impudente, inconveniente, descarado: linguagem cínica. (Fonte: http://www.dicio.com.br/cinico/)
Impudente, inconveniente, descarado: linguagem cínica. (Fonte: http://www.dicio.com.br/cinico/)
O cinismo se perdeu enquanto senso dando espaço a uma noção pejorativa.
Ser cínico não é uma pena, mas sim, a meu ver, é uma necessidade.
Uma das frases que mais me marcou foi a dito por Crates: “você segue as leis por convenção ou por natureza”.
Ser cínico é ir de encontro aos costumes firmados por nossa sociedade.
Ora, vejamos um exemplo, roubar é um crime, e se um indivíduo o faz por uma necessidade isto não o fará menos errado, ou muito menos, esta mesma necessidade não servirá de justificativa aos seus atos. Em contrapartida, nosso país possui uma grande quantidade de ladrões vestidos de ternos e gravatas que “carinhosamente” nós os alcunhamos de políticos. Estes últimos, por sua vez, roubam de toda uma nação, e nem por isso nos damos ao trabalho de irmos às ruas protestarmos contra tal ação.
Crime é crime, e em ambos os casos vemos algo que é considerado errado pela sociedade. Mas pergunto, por que uns nós prendemos e torturamos enquanto outros continuam impunes e gozando com o dinheiro dos trabalhadores?
As leis são uma grande piada, de muito mau gosto penso eu. Elas são feitas de cima para baixo. Acostumamo-nos a ver poderosos continuando impunes e assentamos esta ideia em nossas cabeças. Convencionamos socialmente de que nada poderá parar um político corrupto, daí nasce o nosso ócio, nossa falta de vontade de lutar. Devido a isto, descarregamos nossas frustações e certezas aos menos poderosos que não podem se defender ou protestar. Descarregamos a frustração do roubo em cima do simplório ladrão de bolsas, enquanto trabalhamos seis meses somente para pagar impostos que são desviados para o bolso de pessoas que nem ouso comparar aos ratos ou vermes, porque estes ainda prestam o serviço ao qual, aos mesmos, foram entregues.
Logo, até onde roubar é errado, ou melhor, até onde roubar é um ato impune?
Quem convencionou o certo e o errado? Quem foi que disse que o certo é universal?
As certezas são subjetivas, assim como os erros. É lógico que existem certezas que são comuns, não a todos, mas a uma grande maioria. Não estou aqui para falar dessas certezas, mas sim para estressar a ideia do que seria o certo.
Suas certezas são cabíveis a você, e somente a você. Suas certezas são suas responsabilidades. Mas será que suas certezas são cabíveis a mim? Ou será que as minhas certezas são cabíveis a você?
As certezas são cabíveis a partir da aceitação. A todo o momento, imperceptível à nossa razão, porque somos “ocupados de mais” para refletirmos sobre. Nós comumente impomos nossas razões para os outros sem ao menos pensarmos se ela será bem vista e/ou aceita pelo próximo.
Onde está a tolerância, ou o respeito às diferenças?
Para quem são os direitos? Para quem são os deveres? Para quem são os privilégios?
O direito é aquilo que de nós é usurpado. O dever é o que justifica a nossa punição. O privilégio é a capacidade de burlar e/ou quebrar as regras que para toda uma sociedade foi imposta e não discutida.
Logo, o que nós, meros mortais, temos são os direitos e os deveres. Aos poderosos, de qualquer casta, sobram os privilégios.
Claro que isso é um pensamento meu, de minha responsabilidade, e com ele não te imponho nada, mas espero que te faças refletir, afinal, “você segue as leis por convenção ou por natureza?”.
"Não me tires o que não me podes dar!" – Diógenes de Sínope à Alexandre, o Grande.
sábado, 17 de dezembro de 2011
E a Arte?
O melhor do homem eu vi expresso na arte.
Na melodia divinamente trabalhada, nos traços da tela tão bem desenhados, nas palavras tão bem conduzidas por linhas tão bem agrupadas.
Que me venha o baião, o pé-de-serra, o clássico, o moderno e o surreal.
Que me venha a prosa, a poesia, o conto, a rima, gótica ou romântica, fúnebre ou alegre.
Que me venha a arte do corpo, da boca, dos gestos e dos verbos. A encenação que precede o aplauso tão bem cabido.
Que me venha o beijo, o gosto, a língua, o canto, o pé, a dança, o homem, a criança, a donzela, o dragão, o cabra-da-peste, a semibreve, a semínima, a zabumba, o triangulo, a fala, o encanto, as luzes, os improvisos, as cores, os risos, o calor, o suor, o corpo, o Dó, o rei, Ré menor, o campo, harmônico, flores, azuis, cubos, expressionismo, cubista, surreal, a vida, o desejo, o ver, o sentir, a nota a soar, o sustenido, o abraço, o choro encenado, o riso encabulado, o homem em pedaços, a mulher, amada, morta, viva, vivida, a personagem, a praia, a lembrança, a alma, entregue as vontade de expressar as mais belas artes...
Que me venham as velhas e novas novidades.
Engano
Quem me dera se ao menos os prazeres não fossem mundanos...
Projeta tua vida aos bens matérias, a ganhos, riquezas e esquece-te das poesias, das melodias e das artes?
Corre atrás de teus desejos se desesperando pelas nobres peças de pano que nada mais têm do que um nome valioso que nem, ao menos, é gravado em ouro?
Sente-se triste por não possuir nobre corcel metálico que se compara à tão vários cavalos?
Torna-se cabisbaixo por não ter ido ao espetáculo de horrores e depreciações?
Deveras, foste enganado.
Bombardeado de informações, teu corpo reage e acaba se tornando adepto destes costumes.
Criam-se cardumes imensos de peixes humanos que andam em grandes bandos seguindo o fluxo daquilo que a estes é apresentado.
Deveras... Foste enganado...
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
A ideia de um abraço
O braço abraça, envolve meu corpo,
E o frio na barriga me diz que não vai embora.
Cheiro teu pescoço quando ajo em reciproca.
E os tendões de meus dedos enrijecem.
Circulo tua cintura, e você, meu pescoço.
Pouco a pouco me perco no tempo.
Se mantem em repouso os segundos, minutos e horas.
E já não sinto mais o tempo ir embora.
Levando, consigo, os meus afazeres e obrigações.
Pasmando o meu ser, deixando-o de lado os indesejados supracitados.
Traz o calor de teus braços em seus abraços,
E teu corpo quente em contato com o frio de minha barriga
Amansa a carne e abomina os maus pensamentos e os presentes passados...
O que não faço em teus braços?
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Meus pêsames...
Onde o respeito se faz ausente, o medo se torna presente.
Até o mais tenebroso algoz merece respeito por seus atos.
O medo é o parceiro daqueles que, em ti, não cedem tempo para ouvir.
Não se fala para um surdo e não se aponta para um cego.
Aos ignorantes, meu silêncio...
Se não respeita meus atos, se não os reconhece dignos de ação, não me dirija a palavra. Pois será perda de tempo.
Discorde de mim, supere minha opinião, mas não me negue o direito de usar minha expressão facial, verbal, mental...
Aos ignorantes, estes seres que olham, mas são cegos, que escutam, mas são surdos, deixo o meu respeito, pois não os temo.
Aos ignorantes... meus pêsames...
domingo, 6 de novembro de 2011
Cansaço...
Você acorda tenso, abre os olhos e passa a mão na cabeça. Olha vagarosamente para o teto, como se algo estivesse lá, mas não há nada lá.
Respira fundo, e solta todo o ar dos seus pulmões. O ar quente q sai da sua boca parece pesado. Por algum motivo você se vê lerdo, devagar, e, pouco a pouco, quase que imperceptivelmente, o tempo passa.
Passa cinco, dez, quinze minutos, e você continua deitado. Até que uma centelha de vontade aparece e você levanta o torso. Permanece sentado na cama.
Coloca as pernas para fora da cama, vira o rosto e observa o travesseiro, o lençol e depois as mãos, que se encontram cruzadas. Em um movimento quase que instintivo, como um ato reflexo, você olha a palma de suas mãos, ainda cruzadas. Observa cada traço que a compõe e depois, mais uma vez, se perde olhando para o chão.
Finalmente, cria mais alguma vontade e se levanta. Anda até o banheiro, se apoia na pia e começa a se observar no espelho. Começa a notar cada traço do rosto, cada fio solto do cabelo, cada movimento. Olha dentro, e fundo, em seus próprios olhos refletidos, sentindo uma sensação de que não deveria ter acordado.
Começa a pensar em tudo que tem que fazer, tudo que deverá ser feito e deveras foi feito. Um aperto aparece em nosso peito, e não é de tristeza ou nada parecido. É apenas uma sensação, um sentido, de que você NUNCA deveria ter acordado.
Você tem a ligeira impressão de que a vida está te testando, querendo ver até onde vai sua vontade, seu desejo de ir em frente. Você não desiste, porque sabe que ao fazer isso, aceita a condição da morte, a morte de suas vontades e desejos. Você lava o rosto, toma seu banho, come, escova seus dentes, arruma suas coisas e sai de casa. Sai para realizar seus afazeres, para ter que ver os mesmos rostos apáticos, simpáticos, insuportáveis e amigáveis.
Quando você volta, aquela sensação já se foi. Foi porque notou seu esforço de continuar. Foi porque viu que, naquele momento, era perda de tempo continuar. Foi, mas com a certeza de voltar e, mais uma vez, te atazanar.
Essa sensação, esse frio na barriga que vem e me diz mais uma vez que não vai embora. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei fazer isso tudo?
Um dia, eu ainda me entendo...
Mas, no momento, me encontro na presença, mais uma vez, deste ilustre conhecido, que, me diz para parar de viver como eu vivo...
Sinceramente, às vezes sinto sua falta. Às vezes quero que você me abrace e me diga que não irá embora tão cedo, porque eu corri tanto. Você sempre estará me esperando?
Traga sua fiel companheira, a Preguiça e vamos nos deleitar no colchão de minha cama...
Um dia, eu ainda me entendo...
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